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quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Patriarcado Grego Ortodoxo de Alexandria e Toda África


S. Beatitude THEODOROS II,
Papa e Patriarca de Alexandria e toda África.
(Eleito em 09 de Outubro de 2004)
Sede Patriarcal:
PO Box 2006 Alexandria, Egypt
Tel: +2-03-4868595, 4861744, 4875839
Fax: +2-03-4875684

A Igreja de Alexandria

  • Fundou a Igreja de Alexandria o Apóstolo São Marcos;
  • Fora conferido o Título de Papa, pela primeira vez na história, ao Patriarca Hiraclas, em 232 e depois ao Patriarca Teófilo em 390, porém, o Sínodo Ecumênico IV conferiu ao Bispo de Alexandria o título de Papa e Patriarca e deu-lhe o segundo lugar após o Patriarca de Constantinopla;
  • O Cisma dos Coptas, da Igreja de Alexandria, verificou-se em 451, continuando os conservadores Ortodoxos, seguidores do Rei de Constantinopla, de Melquitas;
  • Malograram as tentativas do Patriarca Kyro, no sentido de unificação das Igrejas Ortodoxa e Copta, em 643, por motivo de seu falecimento e, separou-se definitivamente a Igreja Copta da Igreja Ortodoxa em 662, na era do Patriarca Copta Benjamim;
  • Foram coroadas de êxito as tentativas de paz do Patriarca Teófilo, de Alexandria, entre o Patriarca Eergios II, de Constantinopla, e o Rei Basílio Bulgaroctono e fora o Patriarca Teófilo congnominado de "Juiz Ecumênico," especializando-se os Patriarcas e Papas de Alexandria no uso desse título, com o direito de usar duas Mitras e dois "Petrarchiles," durante a Santa Missa;
  • No ano de 1210, o Papa Inocêncio III, de Roma, tentou uma aproximação com o Papa e Patriarca de Alexandria, Nicolau I e, no ano de 1211, solicitou dele a ordenação de um diácono latino, Padre, no que fora atendido, e no ano de 1213, pediu-lhe que tomasse parte no Concílio de Lateranensa e foi representado;
  • No ano de 1555 os protestantes iniciaram o movimento de aproximação com a Igreja de Alelxandria e no ano de 1581 tiveram lugar as conversações entre o Patriarca de Alexandria e Suleiman Schueiger, sobre as diferenças existentes entre a Ortodoxia e o protestantismo, repudiando o Calendário Gregoriano;
  • Em 1594, sugiram tentativas de união entre a Igreja Ortodoxa e Copta, na era do Patriarca Ortodoxo Melétio Pigas e do Patriarca Copta Gabriel;
  • Em 1616, estreitaram-se as relações de harmonia e de fraternidade entre o Patriarca Cyrilo Lukari e o Arcebispo de Canterbari Abbo e, em 1617 juntou-se Teofani Kriptopolo aos Institutos Teológicos da Igreja Anglicana;
  • Em 1764, fora construída a primeira Igreja Ortodoxa em Londres pelos esforços do Papa e Patriarca Mateus, de Alexandria;
  • Na era do Patriarca Ortodoxo Kaliniko e do Copta Kyrillo, o Porfirio Hospinsky empenhou-se ativamente em prol da união das Igrejas Ortodoxa e Copta.
S.B. PETRUS II (de memória eterna!)
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IMAGENS:
Web site do Patriarcado de Alexandria

A Igreja de Antioquia


Sua Beatitude IGNACIO IV
Patriarca de Antioquia e Todo o Oriente
[...] "Sei que serei julgado se não levar a Igreja e cada um de vocês em meu coração. Não é possível para mim dirigir-me a vocês como se eu fosse diferente de vocês. Nenhuma diferença nos separa. Sou uma parte integrante de vocês; estou em vocês e peço-vos que estejam em mim. Pois o Senhor vem, e o Espírito desce sobre os irmãos reunidos, unidos em comunhão, embora manifestem diversidade de carismas na unidade do Espírito [...]
SEDE PATRIARCAL:
B.P. 0009 - Damasco, Síria
Tel: +963-11-43-14-00 - fax: +963-11-43-62-11
E-mail: archdiocese@antiochian.org
Website: http://www.antiochian.org
http://www.antiochpat.org

A Sé de Antioquia

Patriarcado de Antioquia é um dos grandes centros do cristianismo, desde os tempos do Novo Testamento (Atos 11:26). A origem da comunidade cristã data da mesma época dos apóstolos e sua importância, como centro de sua estrutura política, assumiu um papel preponderante. No início, Antioquia foi a primeira cidade-Rainha, capital do Império Romano do Oriente, estendendo sua jurisdição eclesiástica e influência por todo o Médio e mais longínquo Oriente. Em virtude de razões administrativas a Igreja foi organizada por distritos eclesiásticos: Roma, Constantinopla, Antioquia, Alexandria e Jerusalém, embora cronologicamente, o inverso seja a ordem de fundação das Igrejas. Cada um destes cinco antigos Patriarcados - a Pentarquia - foi centralizado numa cidade particular, porém, a Igreja controlava exaustivamente cada uma destas dioceses. O Trono da Una, Santa, Católica e Apostólica Igreja, manteve-se unido até a separação de Roma de suas Igrejas-irmãs, no século XI (1054)
O Santo Sínodo de ANTIOQUIA

A Era Apostólica

Durante este período, Antioquia foi o mais proeminente dos cinco Patriarcados. Sua história é parte essencial da Igreja, dando personalidade própria ao trono eclesiástico. Sua riqueza teológica demonstra a dinâmica da natureza primordial da Igreja Cristã de Antioquia. A mais famosa referência do Novo Testamento relata que, em Antioquia os primeiros seguidores de Jesus Cristo foram chamados de cristãos (Atos 11:26). Os livros dos Atos relatam o que aconteceu nos primeiros anos da Igreja. Antioquia é a segunda cidade, em importância, a ser citada. Nicolas, um dos sete diáconos, ali se converteu, e talvez tenha sido o primeiro cristão nesta cidade (Atos 6:5). Cristãos residentes em Jerusalém foram perseguidos e se refugiaram em Antioquia. Nesta época, Santo Estevão foi morto, tornando-se o primeiro mártir da Igreja.
A tradição da Igreja sustenta que o Trono de Antioquia foi fundado pelo Apóstolo Pedro, no ano 34 (Atos 2:26). Pedro foi seguido em suas atividades por Paulo e Barnabé, que evangelizaram, ao mesmo tempo, os gentios e os judeus. Em Antioquia, ocorreu o incidente entre Pedro e Paulo sobre a necessidade da circuncisão para conversão. Através de uma resolução do Sínodo de Jerusalém, em 52, presidido pelo Apóstolo São Tiago, aplicou-se a evangelização para todos os gentios.
Foi também de Antioquia que Pedro e Barnabé partiram para grandes jornadas missionárias em terras estrangeiras. Os apóstolos tinham que cumprir um ministério universal: "Ide e pregai o Evangelho a toda a Criatura e todos os que crerem e forem batizados serão salvos".
Após permanecer sete anos em Antioquia, o Apóstolo Pedro foi para Roma. Para sucede-lo, no Trono, foi nomeado Evodios.
As realizações pelo cristianismo no Trono de Antioquia são citadas no Novo Testamento, como as de maior destaque da História Eclesiástica. O Trono de Antioquia continuou com suas gloriosas contribuições para a Igreja, através de numerosas personalidades: Santo Inácio de Antioquia, por exemplo, reverenciado como mártir, na época do Imperador Trajano, no começo do século 11. Inácio deu à Santa Igreja inúmeras epístolas, consideradas os primeiros documentos cristãos após o Novo Testamento, escritas na rota de seu próprio martírio em Roma.
A Igreja Ortodoxa sente-se orgulhosa por estas epístolas terem sido produzidas, ainda em seu seio, assim como também sucedeu com todos os principais documentos, ficando assim asseguradas a sucessão apostólica, a Eucaristia e todos os elementos e sacramentos essenciais da fé cristã.

A Era dos Santos Padres

Junto a Inácio e Teófilo, muitos outros teólogos antioquenos foram reconhecidos como padres da Igreja, como São João Crisóstomo, brilhante pregador e pastor de Antioquia, do século IV, que elaborou a Divina Liturgia na forma como é celebrada até hoje.
Na lista dos inumeráveis padres da Igreja junta-se o de São João Damasceno, que foi o primeiro a compendiar de modo sistemático toda a Teologia Ortodoxa. Os Santos Padres defenderam e sistematizaram a verdadeira doutrina da Igreja Ortodoxa. Entre eles, encontramos, São Basílio, São Cirilo de Alexandria, São Cirilo de Jerusalém, São Gregório Nazianzeno, São Gregório de Nissa, Orígenes, Santo Efrém, o historiador Eusébio. No Ocidente, Santo Agostinho de Hipona, São Jerônimo, Santo Ambrósio, Santo Hilário de Poitiers, São Gregório Magno, São Leão Magno, entre outros.

Antioquia e os Concílios Ecumênicos

No princípio do século V, o Patriarcado de Antioquia e sua hegemonia eclesiástica havia se estendido a Chipre, Palestina, Arábia e Mesopotâmia. Todos sob a influência antioquena, junto às Igrejas da Geórgia e Pérsia, cresceram muito espiritualmente. Mas não se passou muito tempo até que aparecessem os conflitos doutrinários dentro da Igreja.
No século V, o Patriarca de Constantinopla, Nestório, natural de Antioquia, foi condenado pelo Concílio de Éfeso (431) por seus ensinamentos errôneos. O Trono de Antioquia reconheceu sua condenação, mas não pôde evitar o aparecimento da Igreja Nestoriana ou Igreja da Assíria, quebrando assim a unidade ortodoxa.
Mais tarde, no século VI, o erro monofisita, se opôs a São Cirilo de Alexandria, ganhando muitos adeptos na Síria e outras regiões do Império. Como no caso de Nestório, muitos cristãos, incluindo os de Antioquia, opuseram-se à condenação e estabeleceram o erro monofisita, chamado também de jacobina, afetando o Trono de Antioquia. Ao mesmo tempo, a extensão geográfica do Patriarcado foi se reduzindo. Por decisão dos Concílios Ecumênicos, em 431, a Igreja de Chipre conseguiu sua independência de Antioquia e em 451, o Patriarcado de Jerusalém estabeleceu jurisdição sobre a Palestina. Nos primeiros anos do século VII, o Império Bizantino foi atacado pelos persas e então, quando se tratava de estabelecer uma unidade entre os jacobitas monofisitas contra os invasores, o Imperador Bizantino surgiu com a comprometida doutrina do Monotelismo. A Ortodoxia, porém, não aceitou tal proposição político-religiosa que ia contra a fé e durante o Concílio de Constantinopla (680), o Monotelismo foi condenado, como doutrina errônea.
Neste tempo, apareceram através de acirradas disputas, as Escolas de Antioquia e Alexandria. A Natureza da Santíssima Trindade, a Natureza de Cristo: Divino-Humana, etc.

Declínio da Cidade de Antioquia

Na época da Igreja Primitiva e da criação dos Patriarcados, a cidade de Antioquia pertencia à Síria, da qual veio a ser capital no século I. A cidade de Antioquia e seu Patriarcado começaram a sofrer paulatino declínio, no início da administração ocidental da Igreja, seguido de ataques e ocupações de culturas hostis a todos os elementos religiosos. A cidade foi capturada pelos persas em 538, novamente em 540 e ainda em 611.
Antes que os bizantinos recuperassem seu vigor sob o Imperador Heraclius, o Islã avançou sobre as terras do Oriente. Antioquia foi uma das primeiras conquistas dos muçulmanos, em 638, além de Jerusalém, Gaza e Alexandria.
Com a queda de três dos quatro principais Patriarcados Orientais. Antioquia, Jerusalém e Alexandria - a importância de Constantinopla começou a perder o seu prestígio. Existiu somente como Patriarcado independente e livre como capital do Império Bizantino. Então, muitos dos Patriarcas de Antioquia encontraram resistência temporal ,na capital do Império, Constantinopla. Após a queda de Constantinopla, tomada pelos turcos em 1453, foi sendo difundida a idéia entre os otomanos, de que o principal Patriarcado era o de Constantinopla (a nova Roma) como cabeça de todos os outros Patriarcados. Isso fez com que Antioquia perdesse cada vez mais sua importância como sede do principal Patriarcado Ortodoxo de toda a Antiguidade cristã .
Em 1154 Antioquia foi reconquistada pelas forças orientais do Imperador Bizantino Emmanuel Gemnenus, que insistiu no esplendor do Trono de Antioquia como um retorno aos tempos primitivos. É desta época famoso canonista Theodoro IV (Balsamon), século XII. Teodoro rebelou-se contra a ocupação latina e todas as conseqüências através dos anos de ocupação.
Durante os séculos seguintes os Patriarcas de Antioquia foram consagrados por Sínodos Antioquenos celebrados na Síria, Quando os mamelucos sultões do Egito chegaram ao poder, aproximadamente entre os anos 1260 e 1269, os Patriarcas Antioquenos quiseram voltar ao trono de sua antiga sede, mas isto não lhes foi permitido e a partir daí o Trono Antioqueno foi levado para Damasco, na Síria, no século XIV. Desta forma o Patriarcado foi identificado, cada vez mais, por sua população árabe cristã que manteve suas tradições ortodoxas bizantinas.
A cidade de Antioquia foi reduzida, através de guerras e sucessivas ocupações a uma pequena população cristã e ínfima fração da Igreja.

Síntese Histórica

  • Os fundadores da Igreja Antioquena são os Corifeus dos Apóstolos, Pedro e Paulo;
  • O primeiro Concílio Ecumênico reconheceu no Bispo de Antioquia a primazia sobre todos os Bispos do Oriente, tendo o segundo Concílio confirmado a decisão do primeiro Concílio. O Terceiro Concílio Ecumênico reconheceu a a independência da Igreja de Chipre que se separou da Igreja Antioquena. O IV Concílio Ecumênico concedeu ao Bispo de Antioquia o Título de Patriarca, colocando-o na terceira categoria, após os Patriarcas de Constantinopla e Alexandria;
  • Os Assírios separaram-se da Igreja Antioquena em 451, os Caldeus em 498 e os Armênios em 538;
  • Separou-se definitivamente a Igreja Siriana Jacobita da Igreja Antioquena em 513;
  • Os Maronitas declararam-se independentes do Patriarcado Antioqueno em 685 e submeteram-se ao Bispado Romano em 1183, na era do Patriarca Ermia Hamchiti;
  • Em 1050 desligaram-se os Gregorianos do Patriarcado Antioqueno;
  • Os cruzados ocuparam Antioquia em 1098 e foram deslocados pelos árabes em 1648;
  • O Patriarcado Antioqueno estabeleceu-se em Damasco no ano de 1342;
  • Nos princípios do século XVI, começaram as missões religiosas européias a se fazerem presentes no Oriente;
  • O Patriarca Makario, filho do Zaim Al-Halabi, empreendeu uma visita histórica à Rússia e todos os Países Balcânicos, em 1648;
  • Em 1724 verificou-se a dissidência dos gregos católicos da Igreja Antioquena;
  • Em 1830 foi construído o Seminário de Balamand;
  • Em 1913, o Patriarca Gregório IV (Haddad) empreendeu a sua afamada visita à Rússia;
  • O Patriarca Alexandre III (Tahan) empreendeu diversas excursões pela Rússia (de 1945 a 1958), Bulgária, Romênia, Sérvia, Grécia e os Patriarcados Apostólicos de Constantinopla, Alexandria e Jerusalém, concitando os Ortodoxos à união e à congregação;
  • O Patriarca Antioqueno Alexandre III festejou suas Bodas de Ouro Episcopais em 1954 e as bodas de Prata Patriarcais em 1956.

Fonte:
Pró-ortodoxia
Tradução do Espanhol: Pe. Pavlos Tamanini

Patriarcado Grego Ortodoxo de Jerusalém


Sua Beatitude THEOPHILOS III
(Eleito em 22/8/2005)
Sede Patriarcal:
POB 19632 91190 Jerusalém, Israel
tel: +972-2-28-58-83 - fax: +972-2-28-20-48
E-mail: holylite@otenet.gr
Web site: http://www.jerusalem-patriarchate.org/

A Igreja de Jerusalém

ada a particular a associação com a vida de Jesus e de sua primeira comunidade de discípulos, Jerusalém teve sempre uma grande importância para a cristandade. Tendo recebido a fé cristã, a aceitação de grande parte da população do Império Romano e o prestígio de Jerusalém cresceram na mesma proporção.
O Imperador Constantino, que foi quem deu grande impulso à fé cristã no Império, construiu magníficas basílicas sobre alguns dos santos lugares no século IV. O monacato chegou a região da Palestina ao mesmo tempo em que as comunidades monásticas eram fundadas no Egito, alcançando um grande florescimento neste território, especialmente na região desértica situada entre Jerusalém e o Mar Morto.
No ano 451, o Concílio de Calcedônia decidiu elevar a Igreja de Jerusalém à honra de Patriarcado; deste modo, três províncias eclesiásticas e cerca de sessenta dioceses foram separadas do Patriarcado de Antioquia, passando a depender da Jurisdição de Jerusalém. Sob o domínio bizantino, Jerusalém se transformou em destino obrigatório das peregrinações na sua qualidade de "Igreja-Mãe", o que lhe valeu grande desenvolvimento e prosperidade.
As invasões dos persas no ano de 614, e a dos árabes em 637, puseram ponto final àquela época dourada de prosperidade. Muitos templos cristãos e monastérios foram destruídos, e grande parte da população, originalmente cristã, foi paulatinamente se convertendo ao islã.
No ano de 1099 os cruzados tomaram Jerusalém e estabeleceram um Reino Latino que duraria cerca de um século. Durante este período, a Sé de Roma criou o Patriarcado Latino de Jerusalém, que se mantém até os dias atuais. Este Patriarcado Latino, entretanto, não conseguiu suplantar o Patriarcado Greco-ortodoxo de Jerusalém e, uma sucessão de Patriarcas Gregos continuaram existindo no exílio, residindo geralmente em Constantinopla. Os Patriarcas gregos voltaram a viver em Jerusalém, ou em suas imediações, logo após a queda do Reino Latino dos cruzados. A cidade de Jerusalém caiu em 1187 sob as forças turcas; em pouco tempo, porém, foi conquistada por tropas dos mamelucos egípcios, sendo reconquistada pelo Império Otomano no ano de 1516.
Durante os 400 anos de domínio otomano, houve muitas disputas entre os distintos grupos de cristãos pela posse dos lugares santos. Em meados do século XIX os turcos confirmaram o controle grego sobre a maior parte deles, conservando-se este pacto sem modificações durante a ocupação britânica (que teve início em 1917) e, sob as subseqüentes administrações da Jordânia e Israel.
O Patriarcado é governado por um Santo Sínodo presidido pelo Patriarca; os membros do Santo Sínodo não podem ser mais que 18, e todos são clérigos nomeados pelo Patriarca. A este, soma-se um Concílio Misto do qual participam leigos nas tomadas de decisões sobre alguns assuntos do Patriarcado.
O fato de que a hierarquia do Patriarcado seja grega, enquanto que a grande maioria dos fiéis são árabes, tem sido uma fonte de contínuos enfrentamentos nos últimos anos.
Desde 1534, todos os Patriarcas de Jerusalém tem sido etnicamente gregos. Atualmente, o Patriarca e os bispos procedem da Irmandade do Santo Sepulcro, comunidade monástica situada em Jerusalém, que teve sua fundação no século XVI. No dias atuais, este célebre monastério conta com cerca de 90 monges de origem grega e apenas 4 de origem árabe.
Os clérigos casados procedem em sua totalidade da população árabe local, e e esta é a razão de a liturgia bizantina ser celebrada em grego no interior dos monastérios e em árabe nas paróquias.
As antigas tensões resultantes desta situação se fizeram presentes novamente em maio de 1992, quando um grupo de ortodoxos de origem árabe fundaram o "Comitê de Iniciativa Ortodoxa Árabe", cujo objetivo é uma maior "arabização" do Patriarcado, como a única forma de preservar uma autêntica presença ortodoxa na região. Desde aquele tempo, também, foi posto em dúvida a alienação de algumas propriedades eclesiásticas e, de outros negócios financeiros do Patriarcado, demandando uma maior transparência pública das contas da Igreja. Os membros deste Comitê também reivindicaram que a hierarquia grega mostrasse um pouco mais de atenção com bem-estar da comunidade árabe-ortodoxa, apresentando o fato de que o número de escolas reduziu de sete, em 1967, para somente três na atualidade.
Em setembro de 1994 este grupo advertiu que a situação estava se agravando, o que poderia resultar num confronto ainda maior. As atividades do Comitê, não obstante, receberam forte resistência do Patriarca Diosdoros I e de seu Santo Sínodo, que defenderam a liberdade de ação da hierarquia, além de enfatizar o caráter historicamente grego do Patriarcado de Jerusalém. Esta jurisdição, no ano de 1989, fez oposição ao movimento ecumênico (tal como fez o Patriarcado Georgiano, bem como um significativo setor do Santo Sínodo do Patriarcado de Moscou), ordenando o afastamento de seus delegados de todos os diálogos teológicos bilaterais nos quais a Igreja Ortodoxa estava envolvida. O Patriarca Diosdoro I (+2000) declarou que muitas Confissões Cristãs usam este diálogos como um modo de fazer proselitismo e, dado que a Igreja Ortodoxa já possui a plenitude da fé, não necessita se submeter a questionamentos em tais discussões teológicas.
Vale destacar ainda que o Patriarcado de Jerusalém continua participando do "Conselho Mundial de Igrejas - CMI", e do "Conselho de Igrejas do Oriente Médio", e o próprio Patriarca Diosdoros firmou voluntariamente declarações conjuntas com outros líderes de Igrejas Locais, especialmente em consideração a situação em que vivem os cristãos na Terra Santa. Tais iniciativas ecumênicas preparam o caminho para a redação de um "Memorando Comum" intitulado: "Significado de Jerusalém para os Cristãos", o qual foi assinado em 23 de novembro de 1994 pelos Patriarcas Líderes de todas as Igrejas históricas presentes em Jerusalém, incluindo os mesmos Irmãos Franciscanos Guardiãos do Santo Sepulcro. Desde então, os Líderes das Igrejas que assinaram este documento, reúnem-se a cada dois meses, mais ou menos, na sede do Patriarcado Greco-ortodoxo, sob a presidência do Patriarca.

Em 22 de Agosto de 2005, o Santo Sínodo elegeu por unanimidade um novo patriarca, Theófilos III como novo Patriarca de Jerusalém. Pela primeira vez na história moderna do Patriarcado de Jerusalém um patriarca foi eleito de forma unânime".

O Patriarca Diósdoros (+2000) reunido com os líderes religiosos
que firmaram o mencionado documento em Jerusalém
No início do ano 2000 reuniu-se em Jerusalém o Sínodo Pan-Ortodoxo, o maior ocorrido na Terra Santa (primeiro depois de 60 anos), onde se encontraram todas as lideranças das Igrejas Ortodoxas Autônomas e Autocéfalas, deixando de lado suas diferenças para celebrar os dois milênios do Nascimento de Cristo.

Síntese Histórica:

  • A Igreja de Jerusalém (Mãe de todas as Igrejas Cristãs) foi fundada pelo apóstolo Jacó;
  • Realizou-se o Sínodo Apostólico, no ano 52, sob a presidência do Apóstolo Jacó e decidiu pela não circuncisão;
  • A rainha e Santa Helena descobriu a Santa Cruz em 326 e construiu a Igreja da Ressurreição e o Berço e mais outros templos sobre a gruta e o Gólgota e o sepulcro do Senhor;
  • O IV Sínodo Ecumênico concedeu ao Bispo de Jerusalém o Título de Patriarca, colocando-o na quarta categoria após os Patriarcas de Constantinopla, Alexandria e Antioquia, bem como reconheceu a independência da Igreja de Jerusalém da Igreja Antioquena;
  • Kisra II, Sharbaraz, conquistou em 614 Jerusalém e apoderou-se da Santa Cruz e transportou-a para a Madain e aprisionou o Patriarca Zacarias;
  • O rei Herácla recuperou a Santa Cruz em 630 e o Patriarca Zacaris regressou do exílio e a Cruz fora erguida de novo no seu lugar no Gólgota;
  • Em 638, o Patriarca Sofrônio entregou as chaves da Cidade Santa ao Califa Omar Ibn Al-Khattáb e recebeu dele a "Fiança de Omar," no Monte das Oliveiras;
  • Em 736, João Damasceno recolheu-se ao Convento de São Saba, lavrando poesias, compondo músicas e acentos tônicos para as canções e cânticos religiosos da Igreja;
  • Em 1099, os cruzados conquistaram Jerusalém e foram expulsos da Palestina em 1291;
  • A Irmandade do Santo Sepulcro fora fundada em 1523;
  • Houve em 1581 conversações entre o Patriarca de Jerusalém e Suleiman Schweiger para abolição das divergências entre a Ortodoxia e o Protestantismo;
  • Em 1741, iniciou-se a aproximação entre os ingleses (Anomate) e os Ortodoxos;
  • Em 1817 fora fundada a Biblioteca do Santo Sepulcro.
FONTE:
Pro-ortodoxia
Tradução do Espanhol por: Pe. André Sperandio, hieromonge

Patriarcado Ortodoxo de Moscou e Toda a Rússia


S. S CIRILLO
PATRIARCA DE MOSCOU E TODA A RÚSSIA
SEDE PATRIARCAL:
Danilov Monastery 22
Danilovsky Val Moscow 113191, Russia
Tel: 7-095-230-24-39 - Fax: 7-095-230-26-19 e
E--mail: commserv@mospat.dol.ru
Wweb site: http://www.mospat.ru/

A Igreja da Rússia

té final do século X, segundo uma antiga lenda, o Grão Príncipe Vladimir de Kiev, enviou delegações às distintas regiões do mundo tendo em vista examinar as religiões que ali se professavam, a fim de decidir qual era a mais apropriada para seu reino. Quando os delegados regressaram, recomendaram a Vladimir a fé professada pelos gregos, já que, assistindo a um ofício religioso na Catedral de Santa , em Constantinopla, “nós não sabíamos se estávamos no céu ou na terra”. Depois do batismo do príncipe Vladimir, muitos de seus súditos se fizeram também batizar nas águas do Rio Dnieper no ano de 988.
Deste modo, o cristianismo bizantino converteu-se à fé dos três povos que tiveram origem a partir do antigo reino da Rus’de Kiev: os ucranianos, os russos e os bielorussos.
O cristianismo da região de Kiev floresceu por algum tempo, mas logo entrou num período de decadência que culminaria, no ano de 1240, quando a cidade de Kiev foi arrasada durante a invasão pelos mongóis. Em conseqüência disto, a maioria da população teve de fugir para o norte.
No século XIV, um novo centro de importância político-religiosa se desenvolveu nas imediações do principado de Moscou e, por esta razão, o metropolita de Kiev passou a residir ali; com o passar dos anos foi declarada como sede Metropolitana.
Quando Constantinopla caiu finalmente sob o jugo turco em 1453, a Rússia expulsava os mongóis de seu território, dando início a um pujante Estado independente.
O fato de Roma ter caído em heresia e a segunda Roma (Constantinopla) nas mãos dos turcos islâmicos, fez com que alguns russos começassem a se referir a Moscou como a “Terceira Roma” a qual preservaria a Tradição e a pureza da fé ortodoxa e a civilização romana. O czar (César) era agora o novo campeão e protetor da ortodoxia, do mesmo modo que, em outros tempos, havia sido o Imperador bizantino. A Igreja Ortodoxa Russa neste tempo já desenvolvia seu próprio estilo, tanto na liturgia como na iconografia.
Em meados do século XVII, um cisma de considerável importância teve lugar no seio da Igreja Ortodoxa Russa, quando o patriarca Nikón reformou os numerosos usos litúrgicos locais, a fim de adaptá-los aos costumes gregos. Aqueles ortodoxos que se negaram submeter-se à reforma e insistiram em permanecer com suas antigas tradições litúrgicas, passaram a ser conhecidos como os “velhos crentes”. (Atualmente, existem ainda algumas comunidades de velho-crentes que estão sob a jurisdição da Igreja Ortodoxa Russa no Exílio).
O Patriarcado Ortodoxo Russo foi oficialmente estabelecido pelo patriarca ecumênico Jeremias II em 1589, porém seria abolido pelo Czar Pedro, o Grande no ano de 1721. Desde os tempos de Pedro, o Grande até Nicolau II, a Igreja da Rússia foi administrada por um Santo Sínodo sob a estrita supervisão do Estado. Apesar deste manejo tão secular da Igreja, houve no século XIX um forte ressurgimento do conhecimento teológico, da espiritualidade e da vida monástica em toda a Rússia.
Em agosto de 1917, depois da abdicação do Czar, antes da Revolução Bolchevique de outubro, o Santo Sínodo da Igreja Russa se reuniu em Moscou onde decidiram restaurar o patriarcado, elegendo o metropolita Tikón de Moscou para ocupar o trono patriarcal. Não obstante, um período de sombra caía sobre esta igreja e, antes mesmo de concluir o Sínodo, foi anunciado o assassinato do metropolita de Kiev, iniciando um período de perseguições e martírios que duraria sete décadas.
O patriarca Tikón foi um sincero e veemente crítico do comunismo em seus primeiros anos como patriarca. Depois de um ano de prisão, porém, foi forçado a moderar suas críticas ao regime. O patriarca e seu sucessor, o metropolita Sérgio forjaram juntos o “modus vivendi” com o regime soviético, sendo seguido por seus sucessores ao longo de sete décadas. A base de convivência era simples: a Igreja apoiaria publicamente o regime em todos os seus assuntos e o Estado autorizaria o funcionamento da Igreja, ainda que numa esfera muito restrita, limitando muito qualquer manifestação religiosa (litúrgica). A esta particular relação entre a Igreja e o Estado comunista se denominou “Sergianismo”.
A perseguição religiosa na União Soviética tomou formas diferentes em períodos diferentes; virtualmente, todos os teólogos e demais líderes da Igreja Ortodoxa Russa foram exilados durante a década de 20 ou executados na década de 30. Para dar uma idéia cabal da tragédia sofrida por esta Igreja, basta mencionar que, só no ano de 1937, foram detidos 136 mil clérigos dos quais 85 mil assassinados. No período compreendido entre os anos 1917 e 1939, de 80 a 85% dos clérigos da época pré-revolucionária desapareceram. Contudo, as coisas melhorariam um pouco durante o processo da II Guerra Mundial, nos anos posteriores ao governo de Stalin, até que, em 1959, Khrushchev começou a intensificar a perseguição.
Muitos templos foram fechados logo depois da revolução de 1917 e, outros tantos durante a segunda onda de fechamentos de igrejas sob o período Khrushchev (1959-1962). Cabe destacar que, enquanto no ano de 1917 a Igreja Ortodoxa contava com 77.767 igrejas (entre paróquias e monastérios) na década de 70 restavam apenas cerca de 6.800. O número de monastérios, que no ano de 1914 era de 1.498, viu-se reduzido para 12 apenas e, os 57 seminários teológicos que funcionavam na Rússia em 1914, foram reduzidos a três, na cidade de Leningrado (São Petersburgo) e Odessa.
Depois de 1990, graças as reformas do presidente Gorbachev, a situação desta sofrida Igreja melhorou radicalmente. Já no final de 1997 o patriarca Alexis II declarou que a Igreja contava com 124 dioceses, 148 bispos, 18 mil sacerdotes e 1.737 diáconos.
A Igreja Russa conta ainda com cerca de 430 monastérios, além de 60 monastérios anexos em distintas cidades; cabe também enumerar suas cinco academias teológicas, 23 seminários, 21 escolas eclesiásticas, um instituto teológico, duas universidades ortodoxas, cinco entidades que oferecem cursos de preparação pastoral e dois centros diocesanos para a formação de mulheres que prestam serviço à Igreja. Em outubro de 1992, o Instituto Teológico São Tikón de Moscou foi aberto nesta cidade para a formação de leigos sob um sistema de educação misto, ou seja, a homens e mulheres. Em fevereiro de 1993, a Igreja Ortodoxa Russa estabeleceu a Universidade de Teologia São João em Moscou.
Quanto ao fortalecimento do sentimento religioso do povo russo logo depois da queda do regime soviético, podemos mencionar distintos estudos e pesquisas de opinião como a que foi publicada em dezembro de 1993 pela Universidade de Chicago, resultando num documento que mostrava o grande crescimento da fé na Rússia. Este estudo revelou que mais de 75% da população russa acreditava em Deus, enquanto 11% dos entrevistados declarava ter sido ortodoxo durante a infância ou juventude, 28% declarou ter se tornado ortodoxo nos últimos anos, o que parece indicar claramente que o número de fiéis da Igreja Ortodoxa Russa cresceu em mais de 100%. A tendência para o ateísmo é muito forte ainda entre os jovens entre 17 e 24 anos sendo que, destes, cerca de 30% deixaram o ateísmo convertendo-se para alguma fé religiosa. Surpreendentemente, 75% dos entrevistados manifestaram um alto grau de confiança na Igreja da Rússia.
Uma pesquisa realizada pelo Centro de Estudos de Opinião Pública da Rússia revelou que, enquanto 52% dos entrevistados se consideram crentes, apenas 2 % participam dos ofícios religiosos. Em outra pesquisa realizada por esta mesma instituição no ano de 1997, 46% dos entrevistados declararam-se não crentes e 45% se consideram cristãos ortodoxos.
Se considerarmos que estas pesquisas retratam mesmo a realidade e que 45% da população da Rússia professa a fé ortodoxa, estaríamos então falando de um universo de, aproximadamente, 66 milhões de ortodoxos só na Rússia. Em vista de informações confiáveis acerca dos fiéis ortodoxos em muitos dos novos Estados independentes da ex-União Soviética, os quais possuem importantes minorias de origem russa, o total de fiéis do Patriarcado de Moscou só pode ser dado por aproximação.
Atualmente, a Igreja Ortodoxa Russa está fortemente empenhada em adaptar-se às vertiginosas mudanças que tem lugar na sociedade russa. Nos últimos anos proibiu terminantemente a seus clérigos de participarem ativamente na política; não obstante, é notável a boa relação da Igreja com o Exército russo.
Em 1994, o governo concordou em enviar uma ajuda financeira ao Patriarcado para a reconstrução da Catedral de Cristo, o Salvador, um sólida estrutura de século XIX destruída por Stálin em 1931. O Patriarca Aléxis II fez a fundação da pedra fundamental no dia 7 de janeiro de 1995, celebrando ali a Páscoa de 1996.
No final de 1994 o Patriarca Aléxis II convocou um Concílio de bispos da Igreja Ortodoxa Russa que se reuniu sob sua presidência. Neste concílio foram tratados temas relacionados à prática litúrgica, a correta formação pastoral e teológica e o serviço que a Igreja presta à sociedade. Nesta oportunidade, a Assembléia rejeitou um pedido do setor mais tradicionalista do Patriarcado que pleiteava que a Igreja Russa se retirasse de todas as organizações ecumênicas; na oportunidade, alcançou-se um acordo unânime em condenar a atividade missionária desenvolvida na Rússia por agrupamentos metodistas procedentes dos Estados Unidos, bem como por outros grupos de evangélicos, presbiterianos e por protestantes da Koréa do Sul. Cabe mencionar que os ortodoxos russos contestam a atividade missionária católica dentro de seu território canônico.
Os bispos sancionaram um vasto programa de catequização e re-evangelização do povo russo, erigindo para este propósito uma comissão especial com o objetivo de revisar as práticas litúrgicas e seus textos, a fim de celebrar a liturgia de um modo mais compreensível para seus fiéis.
O Concílio se reuniu novamente em 1997, decidindo promover a canonização do Czar Nicolau II e sua família, fato que se concretizou no transcurso do ano 2000. Durante esta assembléia, os bispos voltaram a rechaçar as propostas de alguns membros do episcopado que reivindicavam a retirada dos delegados patriarcais do CMI – Conselho Mundial de Igrejas. Nesta oportunidade, decidiu-se pela convocação de um Conselho Pan-ortodoxo para discutir a conveniência ou inconveniência de permanecer como membros do dito Conselho Ecumênico.
Os bispos reunidos trataram ainda do diálogo bilateral com a Igreja Católico-Romana, denunciando a persistente e contínua atividade proselitista entre os fiéis ortodoxos da Rússia. Delegações de alto nível procedentes do Vaticano e do Patriarcado de Moscou se reúnem duas vezes por ano para monitorar as relações e conflitos entre ambas as Igrejas. Reconheceram com grande alegria o progresso em suas relações com as Igrejas Orientais (pré-calcedonianas) com as quais, - em virtude do diálogo – se chegou a formulações cristológicas mais claras e precisas.
Em 26 de setembro de 1997, o presidente Boris Yeltsin promulgou a “Lei sobre a Religião” da Rússia, a qual obteve pleno respaldo do Patriarcado de Moscou, já que a Igreja via a sociedade russa sob ameaça de uma grande proliferação de seitas estrangeiras, em geral, do Ocidente. Esta lei identifica a Ortodoxia, o Budismo, o Islamismo e o Judaísmo como religiões tradicionais, pondo freios às atividades de diversos grupos religiosos, estabelecendo um período de até 15 anos para a obtenção de registro de culto. Ainda que esta lei, ao que parece, tenha desagradado ou inquietado a muitos ocidentais, reflete o consenso geral da sociedade russa sobre tão espinhoso tema.
Enquanto organização interna, a máxima autoridade da Igreja Ortodoxa Russa é o Concílio Local que se compõe dos bispos, clérigos e leigos, e se reúne periodicamente. De modo habitual, a administração da Igreja é conduzida pelo Santo Sínodo, composto pelo patriarca e seis bispos diocesanos, sendo, três permanentes e os outros três temporários. O Concílio de bispos que reúne a totalidade do episcopado, incluindo também os presidentes do Santo Sínodo e os reitores das academias teológicas e seminários, é convocado a cada dois anos, aproximadamente.
A desintegração da União Soviética criou poderosas forças centrífugas entre os antigos membros, chegando a representar uma ameaça direta à unidade do Patriarcado de Moscou. Em janeiro de 1990, quando as condições já haviam mudado, o Concílio de bispos se reuniu em Moscou decidindo conceder certa autonomia a Igreja Ortodoxa da Ucrânia e da Bielorússia, convertendo cada uma delas em um Exarcado dependente de Moscou, podendo usar, opcionalmente, a denominação de Igreja Ortodoxa da Ucrânia ou da Bielorússia, respectivamente. Logo depois da dissolução da União Soviética, em 25 de dezembro de 1991, e da independência de vários países que a compunham , o Patriarcado, face a esta nova situação política, outorgou status de autonomia similar às Igrejas Ortodoxas de Estônia, Látvia e Moldávia.
Em 27 de outubro de 1990, o Concílio de Bispos da Igreja Ortodoxa Russa aboliu o Exarcado e outorgou independência e auto-governo à Igreja Ortodoxa da Ucrânia que já vinha formulando pedidos de maior liberdade. Ainda assim, tal autonomia implicava numa certa dependência da Igreja de Moscou, e o metropolita da Kiev ainda atuava como membro do Santo Sínodo de Moscou.
Logo depois da independência da Ucrânia, em 24 de janeiro de 1991, o metropolita Filaret de Kiev iniciou um processo que objetivava a total independência de sua Igreja do Patriarcado de Moscou . Em conseqüência disso o Concílio de Bispos rechaçou tal movimento em abril de 1992, e o Patriarca Aléxis II procedeu a destituição de Filaret (Disenko), nomeando para substituí-lo o metropolita Volodymyr (Sabodan) de Rostov como novo metropolita para a sede de Kiev.
Em junho, o Patriarcado de Moscou expulsou Filaret reduzindo-o ao estado laical; em conseqüência, Filaret uniu-se a Igreja Ucraniana Autocéfala que não era reconhecida como canônica por parte de Moscou nem de Constantinopla; e logo após a morte dos patriarcas Mstyslav e Volodymyr (Romaniuk) em 1995, Filaret (Disenko), se convertia no terceiro Patriarca desta nova Jurisdição. (ver Igreja da Ucrânia).
Outro conflito ocorreu com a mais recente independente República de Moldávia (antes conhecida como Besarabia) que fazia parte da Romênia até 1812, quando foi anexada a outro Estado; logo este território voltou à Romênia por um período que durou de 1918 a 1944. Em 1993, surpreendentemente, o Patriarca da Romênia decidiu recuperar sua Jurisdição sobre aquele antigo território romeno, apesar de que o Patriarcado de Moscou já havia concedido o status de autonomia à diocese de Moldávia; deste modo, os ortodoxos da República Moldávia se viram divididos entre duas diferentes jurisdições.
Delegações do Patriarcado da Romênia e de Moscou se reuniram com o objetivo de ajustar as diferenças, porém, até o presente momento não alcançaram resultados muito positivos a respeito; entretanto, o Governo de Moldávia negou registro ao metropolita de Besarabia ligado ao Patriarcado da Romênia.
Na Estônia existiu uma Igreja Ortodoxa Autônoma sob a proteção do Patriarcado de Constantinopla de 1923 a 1945, quando foi absorvida pelo Patriarcado de Moscou logo que este país foi anexado pela então União Soviética. Como conseqüência de sua independência, em 1991, houve fortes demandas para o restabelecimento desta Igreja que mantinha sua sede no exílio, mais exatamente na cidade de Estocolmo; o novo governo reconheceu oficialmente esta Igreja no exílio como a continuação legal daquela que existiu na Estônia antes da ocupação soviética, no período compreendido entre as duas Guerras Mundiais.
Em 20 de fevereiro de 1996 o Patriarcado Ecumênico restabeleceu formalmente a autonomia da Igreja Ortodoxa da Estônia sob sua jurisdição, desencadeando a pior crise na história das suas relações com Moscou. A Igreja Ortodoxa Russa se recusou a comemorar o Patriarca Ecumênico nos dípticos até o dia 16 de maio de 1996, quando foi anunciada uma solução para a crise através da criação de duas jurisdições paralelas na Estônia. Cabe, no entanto, destacar que, se bem que a maioria das paróquias se uniram a Constantinopla, um grande número de fiéis permaneceu fiel a Moscou. (Ver Igreja Ortodoxa da Estônia)

 
 

Síntese Histórica:

  • O apóstolo Santo André é considerado o primeiro pregador do cristianismo na Rússia;
  • Propagou-se a doutrina cristã na Rússia na era do Imperador de Bizâncio, Basílio I (867 - 886);
  • A princesa Olga da Rússia foi batizada em 975 pelo Patriarca Ecumênico Poliefcto, na Catedral "Hagia Sophia";
  • Em 987, Vladimir Baroslof enviou uma comissão para diversos países afim de estudarem as religiões já existentes, para depois escolher o cristianismo ortodoxo e, em 988 recebeu, com todos os componentes de seu reinado, o sacramento do Batismo;
  • A Igreja da Rússia se organizou perfeitamente na era de Baroslof (1016 - 1054);
  • O primeiro Bispo em Kiev, 1051, foi Hilarion;
  • O Metropolita de Moscou e de toda a Rússia fora distinguido com o título de Patriarca por iniciativa do Patriarca Antioqueno, Joaquim Edau, perante o Patriarca Ecumênico Jeremias II, em 1589, o que foi confirmado pelo Santo Sínodo em 1593, quando o Patriarca de toda Rússia foi reconhecido como ocupando o 5º lugar em honra , após o Ecumênico, o Alexandrino, o Antioqueno e o de Jerusalém;
  • Em 1657, o Patriarcado Russo passou a ser independente definitivamente, desligando-se do Patriarcado de Constantinopla;
  • O Patriarcado Russo fora abolido em 1721 e reorganizado em 1917;
  • Em 1929, o bispo John Bessarión, com a participação do bispo sérvio, ordenou dois novos bispos ortodoxos albaneses. Deste modo se formou um Sínodo em Tirana, capital da Albânia, e a Igreja novamente proclamou sua autocefalía. Em reação este fato, Constantinopla destituiu aos bispos albaneses e, em resposta, o governo abanes expulsou o representante de Constantinopla do país. Deste modo, se produziu de fato um cisma, mas que não duraria muito tempo já que Constantinopla, finalmente, reconheceu o status de autocefalía da Igreja Ortodoxa da Albânia, regularizando a situação em 12 de abril de 1937.

Patriarcado Ortodoxo da Sérvia


Sua Santidade IRINEU
Arcebispo de Pec
Metropolita de Belgrado Karlovci
Patriarca da Sérvia
sede Patriarcal:
Kralja Petra br. 5
Belgrade 11000, Yugoslavia
tel & fax: +381-11-63-97-17
website: http://www.serbian-church.net

A Igreja da Sérvia

origem do cristianismo na Sérvia é bastante obscura já que encontramos registros da atividade de missionários latinos na região costeira da Dalmácia no inicio do século VII. Sobre a atividade de missionários bizantinos encontramos registros somente no século IX, quando o Imperador Basílio I enviou missionários para lá.
Devido a sua situação geográfica, a Igreja da Sérvia oscilou entre Roma e Constantinopla, mas, finalmente, os bizantinos prevaleceram. Em 1219, São Savas, foi consagrado pelo Patriarca de Constantinopla como primeiro arcebispo de uma Igreja Ortodoxa Autônoma que, naquele tempo, residia na cidade de Nicéia, devido a ocupação das tropas latinas em sua sede Patriarcal.
O reino da Sérvia alcançou seu apogeu durante o reinado de Stevan Dushan que foi quem estendeu o poder sérvio até Albânia, Epiro e Macedônia. O rei Dushan foi coroado Imperador dos sérvios, estabelecendo um Patriarcado sérvio em Pec, no ano de 1346. Esta situação foi reconhecida por Constantinopla somente em 1375.
Os sérvios foram derrotados pelos turcos em 1389, passando assim a integrar o Império Otomano. Este suprimiu o Patriarcado Sérvio em 1459 que somente teve sua condição restaurada em 1557. Novamente foi suprimido em 1766, quando todos os bispos sérvios foram substituídos por bispos gregos sob o omofórion do Patriarcado de Constantinopla.
O surgimento de um Estado autônomo sérvio, em 1830 esteve estreitamente ligado ao restabelecimento de uma Metropólia Ortodoxa Autônoma com sede em Belgrado e também com a substituição dos bispos gregos pelos de nacionalidade sérvia.
Em 1878, a Sérvia recebeu o reconhecimento internacional de país independente e um ano mais tarde, em 1879, o Patriarcado de Constantinopla reconheceu a autocefalía da Igreja Ortodoxa Sérvia.
Em 1918, com a formação do Estado multinacional chamado Iugoslávia, as várias jurisdições ortodoxas fundiram-se em uma única, formando a Igreja Ortodoxa da Sérvia.
Em 1920, Constantinopla reconheceu a dita união, elevando esta Igreja ao status de Patriarcado.
A Igreja Sérvia sofreu duramente no período da II Guerra Mundial, especialmente na região que estava sob o controle do Estado fascista Croata, perdendo cerca de 25% de suas igrejas e mosteiros e 1/5 de seu clero. Após o estabelecimento do governo comunista em 1945, a Igreja Ortodoxa Sérvia teve que reformular sua relação com o novo Estado ateu. Durante esta época muitas propriedades foram confiscadas; a educação religiosa nas escolas públicas foram abolidas; houve preconceitos quanto os sérvios estarem num território Iugoslavo.
O Presidente Tito rompeu em 1948 com a então URSS estabelecendo melhores relações com os países do Ocidente. Com isso houve maior tolerância religiosa e uma posição mais amena em relação às Igrejas. Entretanto, a relação entre Igreja e Estado não esteve isenta de alguns arranhões , como por exemplo, na ocasião em que o governo apoiou o surgimento de uma Igreja Ortodoxa de Macedônia. Isto foi interpretado pela Igreja da Sérvia como um cisma.
Depois da desintegração da Iugoslávia , a Igreja da Sérvia envolveu-se em assuntos políticos, denunciando estrondosamente as práticas anti-religiosas do passado durante o regime comunista.
Em maio de 1992, começava a distanciar-se do governo de Milosevic.
A Igreja Ortodoxa da Sérvia , durante a Guerra da Bósnia Herzegovina, fez freqüentes apelos em favor da paz. A hierarquia da Igreja apoiou os esforços da minoria sérvia naquele país e na Croácia com o objetivo de integrar-se politicamente com a própria Sérvia.
Em 1994, os bispos ortodoxos sérvios se reuniram em Banja Luka (setor sérvio da Bósnia) e ali afirmaram que muitos sérvios estavam fora da Sérvia como resultado de fronteiras que foram artificialmente impostas pelo regime totalitário com fins administrativos, portanto, aquelas fronteiras poderiam não ser aceitas como definitivas.
Em 1996, os bispos sérvios chamaram a uma renovação moral do povo sérvio, mas perceberam que isto não se poderia conseguir, pois o sistema educacional permanecia com o espírito do antigo regime marxista. Denunciaram a reaparição de velhos métodos totalitários na sociedade e continuaram proclamando que as ações da Comunidade Internacional em Bósnia e no Tribunal de Haia, estavam predispostas contra a Nação Sérvia.
No mesmo ano, Milosevic, tratou de suprimir o resultado das eleições no qual foi condenado em duros termos pelo Santo Sínodo. Em janeiro de 1997, o Patriarca Pavle, organizou uma movimentação com mais de 300 mil pessoas pelas ruas de Belgrado, com intenções pré-democráticas.
Em meados de 1997, em um Assembléia em que se reuniram todos os bispos sérvios, fez-se um apelo aos seus compatriotas exilados na Croácia e Bósnia para regressar a suas antigas moradas, exigindo que os governos garantissem a segurança de seus compatriotas.

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O Santo Sínodo da Igreja da Sérvia
Os bispos também chamaram ao diálogo o governo da Iugoslávia para tratar de assuntos relativos às propriedades eclesiásticas que foram confiscadas durante o período comunista e o restabelecimento de instrução religiosa nas escolas públicas.
Quanto a questão do Ecumenismo , os bispos manifestaram abertura ao diálogo e interesse para promover a reconciliação e unidade entre os cristãos.
A mais alta autoridade na Igreja Ortodoxa da Servia é o Santo Sínodo dos Bispos, composta de todos os diocesanos que se reúnem uma vez a cada ano no mês de maio. O Santo Sínodo é constituído pelo Patriarca e pelos bispos que governam a Igreja.
Na cidade de Belgrado está o Instituto teológico (fundado em 1921). A Igreja conta com 4 seminários e uma escola para a formação de monges. São impressas 15 publicações patrocinadas pelo Patriarcado e pelas dioceses.
A Igreja Ortodoxa da Sérvia criou dioceses fora de seu país para os sérvios residentes no estrangeiro como nos EUA, Europa Ocidental e Austrália.
A Comunidade Sérvia na diáspora experimentou uma divisão em 1963 quando o Patriarcado Sérvio foi acusado de manter relacionamento com o Governo Marxista da Iugoslávia . Esta controvérsia deu origem a uma Igreja Ortodoxa Servia Livre que rompeu sua comunhão canônica com Belgrado
Em 1991, ambos grupos se reconciliaram sob a condução do Patriarca Pavle. No entanto, frise-se que por algum tempos estas jurisdições co-existiram adotando uma constituição comum somente no ano de 1998, trilhando o caminho para uma futura unidade administrativa. Até 1998, estava sob a proteção do Metropolita Irineu que morava nos EUA que, devido a uma enfermidade, foi transferido para ocupar o cargo de Administrador em Dalmácia.

Síntese Histórica:

  • Os povos da Sérvia adotaram o cristianismo na segunda metade do século IX (870), por intermédio de missionários enviados pelo Patriarcado Ecumênico, sendo a sede de seu bispado a cidade de Rask;
  • Os Papas conseguiram subjugar a Sérvia nos meados do século XI, porém na era do Rei Estêvão Niman (1159 - 1195), acabou-se a soberania de Roma sobre a Sérvia, ficando esta, entre o fluxo e refluxo políticos;
  • Em 1219 houve um levante na Igreja da Sérvia declarando-se o Arcebispado independente, na cidade de Ibik, e em 1346, o Santo Sínodo da Sérvia elevou o Arcebispado à categoria de Patriarcado, sem o consentimento do Patriarcado de Constantinopla, o que provocou uma dissidência entre as duas Igrejas, da Sérvia e de Constantinopla, que só veio a terminar quando as Dioceses, motivo da discórdia, voltaram para a Igreja do Patriarcado de Constantinopla;
  • Em 1766, o governo da Turquia aboliu o Patriarcado de Ibik, mandando submeter todas as Dioceses da Sérvia ao Patriarcado de Constantinopla, na era de seu Patriarca Samuel I;
  • Em 1831, a Igreja da Sérvia conseguiu a sua autonomia, sob o patrocínio do Patriarca Ecumênico e o Arcebispado de Belgrado e o Metropolita Sérvio e em 1879, declarou-se a sua independência integral na era do Patriarca Ecumênico Joaquim III.

FONTE:
Pro-ortodoxia
Tradução do Espanhol por: Pe. André Sperandio